Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Poesia, essadesconhecida...


Havia, realmente poesia na arte abstracta deste homem. Havia poesia nas formas e nas cores e na harmonia e até nos silêncios que se apoderavam dos quadros. Havia uma poesia tranquila, sincera, que transbordava seguramente do seu carácter, da sua vida nem sempre fácil. Havia poesia porque havia verdade. Dois elementos indissociáveis.
Também procuro a minha poesia, o meu silêncio. E se calhar a minha poesia é ruidosa, quem sabe. Se calhar é um círculo negro, fumicante. Cada um tem, acho, a sua própria poesia e uma das suas principais funções nesta vida é procurá-la. Porque depois, sempre que uma pessoa encontra a sua poesia, aproxima quem o rodeia das suas próprias poesias.
Um triângulo colorido pode ser tanta coisa. Depende somente da alma de quem o pinta. E quando um simples triângulo transpira poesia está, por vezes, uma vida ganha.
Ás vezes oiço o Björling (o cantor que mais vezes me comoveu até hoje) cantar a Puccini e a expressão que me sai é: "só por esta nota mereceu viver".
Busque-se, busque-se. Sejamos Bobbies treinados para encontrar a nossa própria poesia. Nem que ela seja somente um grito. Ou somente o silêncio. Ou somente essa vontade incessante, esse irreprimível instinto de busca.

Pego na lanterna e vou
Abraços
Frix

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Lavra


Não se trata de um regresso
Não se trata de um chegar
Já não se trata de tentar saber o que é estar e partir
A vida corre mesmo quando nós paramos
A contagem não pára.
E o lombo da vida (assim quando se vai a meio) é como o lombo de boi: por ser tão alto tem que ser bem passado, senão sangra.
E a conversa levar-nos-ia aos porquês
Às explicações sem nexo.
Estar fora tanto tempo é viver!
Dormir fora de casa metade das noites do ano é viver!
Não passar mais de pequenos períodos entre as nossas paredes é viver!
Como diz a minha avó sobre o que comer antes ou depois: lá em baixo junta-se tudo.
Uma viagem dá o cálcio, outra o ferro, outra dá os açucares. Tanto nutriente!!!
Baralha-se, parte-se e recebe-se.

E dá-se, claro.
Mas a vida parece ais vida com o baralho nesta mesa.
Com a criança que dorme ali naquele quarto.
Com uma aguarela que se pinta e um doce que se leva ao forno.
Com meia vida entre as nuvens é-se feliz como doméstica.
E todo este discurso porque abri liguei o Word e a página estava em branco.
Mas lá que isto estava algures aqui na cabeça, estava…

Abraços

Frix

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Outono

O meu carro no Outono é mais bonito. Lavam-no finalmente as primeiras chuvas. E ouve-se o cair das gotas no tejadilho, o chiar das escovar no pára-brisas. E vê-se o cinza do céu e alguma névoa a disfarçar o mundo. E eu circulo, observando e sentindo-me num abrigo. Uma espécie de solidão para com tudo.
A própria silhueta da refinaria parece bonita no meio da magia outonal. Não se vêem as fumarolas saindo das chaminés. O nevoeiro come-as. Não se sente o cheiro nauseabundo dos dias em que o vento trás o nojo até à estrada. A humidade engole-o.
No rádio muda-se a estação a fugir à voz sinistra do primeiro ministro de Portugal defendendo o seu programa de governo.
A tarde fica para mim, depois, na minha sala.
Longe do mundo como às vezes apetece.
Perto do que se quer por perto.
O carro, hei-de trocá-lo um dia...

Abraços
Frix

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Schubert, esse tolo. Morreste cedo demais, estúpido!




Cantem leve, levemente
(Como quem canta, por fim)
Será Schubert, de repente...
Schubert é, (tão de repente)
E Schubert, é mesmo assim?

Na verdade. De facto. Realmente. Cantar aquela coisa como é? É o que achamos que é? É o que conseguimos fazer com que ela seja? É o assumir fazê-lo só porque nos faz feliz? E o resto? E o Schubert? Merecerá este "egoísmo"? Merecerá que lhe remexamos nas coisas só porque gostamos delas? Serão as nossas mãos "dignas" de lhe tocar impunemente?
Senti o mesmo quando se me afigurou a celestial oportunidade de cantar Schumann. E que Schumann? O Dichterliebe! E agora? Cantar aquilo...cantar aquilo é em si mesmo um cachet. E porque não obrigarem-nos a pagar para o cantar? Digo, a nós, os cantores da luta, aqueles que se esticam mais um pouco a cada dia, e que querem honrar a camisola, claro. Os Binias do canto, os Paulinhos Santos da laringe, os Brunos Alves (vulgo, caceteiros impunes, que vão dando umas por trás numa colcheia mais levantada, umas cotoveladas num smorzando mais caprichoso.) do diafragma duro.
Obriguem-nos a pagar.
A terra a trabalha. A arte a quem a merece....(e Schubert merece o melhor)
E contudo, a felicidade que sinto em cada efeito mais conseguido, em cada melodia em que o João lança o repto por um lied mais justo, mais honesto. O gosto, quando o céu se abre por cima da cabeça e a linha corre, corre, como um rio (um ribeiro, no caso).

Obrigado Bela Moleira. Rica farinha devias fazer!

Abraços
Frix

Schubert é ali, miraesmo junto à Ribe

Domingo, Outubro 18, 2009

Lucca

Quem já ouviu falar de uma cidade chamada Lucca?
E porém tem a única praça oval que vi até hoje. Que mimo de pracinha (a da foto)! E que mimo de cidadezinha. Aqui deu a senhora Puccini à luz um Giacomo, há escassos 150 anos. Aqui se celebra nos cafés, na rua, nas lojas, nas praças esse génio ímpar, criador de alguns dos mais belos momentos musicais de todos os tempos. Comentava há pouco com um colega, o facto de Puccini não conseguir escrever musica feia, ou má musica, sequer. Da Boheme ao Gianni Schicchi, da Tosca à Manon Lescaut, da Turandot à Madame Butterfly, da Suor Angelica à Fanciulla del West, tudo brilha.
E veio o rapaz da Perafita cantar Rossini à terra do Puccini. E quem me dera um dia cantar aqui um belo Puccini, na pequena pérola que é o Teatro del Giglio. E em Itália é assim, cada cidade tem a sua praça e o seu teatro capaz de nos surpreender. No canto mais remoto eles lá estão. Há muita coisa boa em Itália para além do Berluschoni. (Coisas que vinham de antes dele.) E nisso estamos quites, pois também há muita coisa boa em Portugal; apesar de Sócrates!
Há só duas coisas inimitáveis nestes gajos: as pizzas e os capuccinos.

Abraços
Frix

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Um serão tranquilo


Caro Pedro!
Não se trata isto de uma carta aberta. Tão somente uma dedicatória, um gesto.
Isso porque tiveste a qualidade de escolher um slogan que resume o que de ti se espera. Assim como és o Chefe Tranquilo de que a malta gosta. Um tranquilo activo que se aventura em desafios que lhe estão fora de mão só pelo gosto da aprendizagem. Não cheguei sequer a saber as percentagens mas, diria que, cada voto foi uma vitória da cidadania. Isto porque, para mim, tu eras independente. A cor e as setas talvez fossem as mais próximas da tua independência, mas a tua essência, se bem te conheço, é mais tranquila do que partidária.

Fica-te cunhabraço!
Frix

Domingo, Outubro 11, 2009

Mal Pensa Já Está!

O meu povo tem muito a ver com o nome deste aeroporto milanês. E esse "muito a ver" reflecte-se de maneira particular sempre que é (re)chamado às urnas. Para o meu povo um partido é como o clube do coração. Não se muda. Não interessa quem lhe encabeça as listas. Um partido é um desenhinho duma rosa, ou dum martelo, ou duma seta, ou duma mão. E ganhem os mesmos. E são todos iguais. E o que interessa isso? E porque é que havia agora de ser "vira-casacas"?.
Vira-Casacas! Assim é! Aquele que aprende com as asneiras é Vira-casacas! Somos um povo fiel a tudo o que não deve e infiel ao que devia ser.

Mas o meu povo está lá, que me espera (ao menos uma pequena célula de gente dele) e eu estou a ir. Um português que vem a Italia cantar o papel de um Conde Espanhol (se bem entendi a história...) e regressa a Portugal para encher a sua casa de mimos (e mais uns livritos, já lidos, entretanto). Um serão inteiro a desatarrachar a ansiedade e afogar depois os destroços da mesma numa cerveja (até foram duas) e uma pizza picante.

Amigos, embarco. Com grande pena minha já não voto. Mas vo(l)to. Agora mesmo. Xinca, é desta a cerveja adiada!

Abraços
Frix

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Friendship

Friendship: O barco dos amigos!
O barco dos amigos é largo, larguíssimo como o mar. E quanto mais cheio está, mais lotado, melhor resiste às tempestades, às marés vivas. Como um carro largo, pesado, daqueles que só os outros podem ter e que nós comentamos sempre " eh pá, agarra bem a estrada!"
A brincadeira do friendship, veio-me deste comentário do meu (grande, já se sabe) amigo Nuno. Eu transcrevo-o porque ele se queixou que não o conseguiu publicar:
Pois caro Nuno, sendo o blog feito à minha medida tens que te abaixar um pedaço mais para conseguir introduzir o comentário. Senão ele não passa.
E o sho Dias, homem da minha Friendship desde as boas tardes coimbrãs (saudades de subir o quebra-costas e passar à Sé Velha), é homem de razão e saber e diz de sua justiça. E é um daqueles para quem a distância não conta, nem os longos silêncios entre a gente. A gente revê-se e é como se ontem tivessemos estado a jogar bilhar até de manhã.
E só damos pelo passar do tempo quando actualizamos a idade dos filhos!


Nuno Dixit:
"sabes Mário, estou farto deste país...deste governo pimba que nos julga a todos burros e da pimbalhice deste povo que acena sorridente com a doce ignorância do seu estar a quem lhes f... a vida convictamente. Hoje comemora-se uma morte, ou não fosse a nossa República filha de um crime, mas este povo já morreu há muito. Só vive quem está ligado à máquina, mas essa luz também lhes há-de faltar um dia... Viva VERDI!!!"

Não fosse o Verdi e os outros...
Um pagode!
Abraços
Frix


Terça-feira, Outubro 06, 2009

AGORA, POR PERAFITA


O sol aqui nasce do mar. É estranho. É fisicamente estranho até. Seguir ao amanhecer junto ao mar e ver o sol daquele lado, como se descesse. Dá uma sensação de fim de dia, de repouso. A energia amolece. Mas a luta continua.
A proposito de A Luta Continua, no domingo não voto outra vez. Ausência forçada. Torço pelo meu amigo Pedro na minha Perafita. Acima de tudo porque o Pedro não é político. Grande vantagem, a meu ver. É um rapaz de serviço publico!
Desejo as maiores felicidades ao Rui mas, a longa amizade de tantos anos (que até é deselegante referir o numero) leva-me a torcer pela pessoa do meu caríssimo companheiro de outras guitarradas. Reconhecendo, acima de tudo, as suas excepcionais, únicas e até galvanizantes qualidades humanas e éticas.
Por Perafita
VOTA PEDRO BARROS!

Meus queridos perafitosos: os portugueses em geral não aprenderam, apesar de terem sido enganados todos os dias nos últimos quatro anos.
Ora, vocês, apesar de não terem sido enganados pelo meu amigo Rui, experimentem, ao menos uma vez, a mudança. Vá, ninguém vai ficar a perder! Aposto!
Eu torço de longe!

Abraços
Frix